

Espaço de atendimento a crianças e pré-adolescentes (04 a 11 anos), visando à prevenção e transformação da violência intrafamiliar através do lúdico – Brinquedoteca – e da construção de diálogos.
O projeto ReCriando – um espaço de reflexão e transformação do contexto da violência doméstica – foi criado em 2001 no SOS/AMF, como um espaço de atendimento às crianças de 04 a 11 anos que, direta ou indiretamente, sofrem violência doméstica.
A idéia inicial, que norteia o trabalho até hoje, era desenvolver um trabalho que possibilitasse a construção de novas alternativas para a resolução de conflitos familiares, trabalhando principalmente com a prevenção e utilizando o lúdico como linguagem, de forma a ampliar os repertórios relacionais e propiciar a transformação do contexto da violência.
Os trabalhos iniciaram-se em fevereiro de 2001, quando o projeto foi escrito a várias mãos, com a colaboração da psicóloga da SOS/AMF e de um grupo multidisciplinar de voluntários unidos pelo entusiasmo da colaboração. Aí começou o caráter multidisciplinar da equipe, mantido até hoje.
A segunda etapa do processo de criação do projeto foi a formação e cuidado com a equipe que prosseguiu com o trabalho propriamente dito: montagem da brinquedoteca e capacitação dos profissionais para o trabalho com crianças, famílias e sistemas mais amplos.
Duas modalidades de atividades foram estabelecidas como metodologia: a “Brinquedodia” e a “Brinquedomês”.
A atividade Brinquedodia acontecia em um único encontro com a duração de três horas, e tinha como objetivo possibilitar à criança explorar as atividades na brinquedoteca. O profissional mediava as situações e observava as necessidades da criança para encaminhar à Brinquedomês. Ao final, uma conversa com os pais esclarecia os objetivos do projeto e a necessidade, ou não, da continuidade do trabalho.
A Brinquedomês tinha como objetivo aprofundar esse trabalho, tendo como base os princípios da terapia breve. O trabalho era desenvolvido com um grupo de no máximo oito crianças, durante doze encontros semanais com a duração de três horas. Após esse período, avaliava-se a necessidade da criança continuar ou não no projeto, como também a necessidade de encaminhamento a outros serviços da rede social. Então, ou se renovava o contrato, ou o desligamento gradual era feito diminuindo-se a frequência para encontros quinzenais, e depois mensais. Esta etapa do projeto era mediada pelo serviço social do SOS/AMF, que mantinha contatos periódicos com as instituições da rede para colocação e informações sobre a adaptação da criança. Esta é a modalidade mantida atualmente.
Posteriormente, instituiu-se a “Sala de Espera”, para um atendimento “emergencial” das crianças mais necessitadas, que aguardavam vaga na Brinquedomês. Nesse atendimento semanal de três horas, dava-se ênfase ao acolhimento e às necessidades de regras, limites, respeito para um bom convívio social, iniciando-se as primeiras intervenções terapêuticas que seriam aprofundadas na Brinquedomês.
O trabalho com a família acontecia inicialmente nos grupos de apoio do SOS/AMF. Mas, sentindo-se a necessidade de obtenção de dados, orientação e sensibilização dos pais sobre cuidados com a criança, esse trabalho passou a ser desenvolvido no ReCriando em dois diferentes momentos:
Grupo de pais ou cuidadores – os pais compartilham suas histórias, dúvidas e saberes e, principalmente, resgatam o prazer de brincar e suas competências. Inicialmente, os encontros eram de uma hora e aconteciam a cada 15 dias. Atualmente, funciona semanalmente, com a duração de duas horas.
Pais na brinquedoteca: pais ou responsáveis participam da brinquedoteca em momentos adequados, resgatando tanto o seu próprio brincar como o brincar com seu filho, estabelecendo com este um tipo de relação mais prazerosa e construtiva. Esta atividade acontece em comum acordo com as crianças.
Atualmente, também é oferecido acompanhamento psicológico e pedagógico individuais para crianças com necessidades específicas.
Buscando desenvolver um trabalho mais integrado, em 2008 o ReCriando uniu-se a outro projeto do SOS/AMF – o Gira-Vida – voltado para adolescentes, resultando no Recriando Vínculos com Crianças, Adolescentes e suas Famílias, apoiado pelo Programa Criança Esperança/UNESCO. Em 2009, iniciando uma nova frente junto à comunidade, este projeto passou a ser realizado também em Núcleos Municipais para atender às demandas locais.
Equipe Técnica do ReCriando
Maria Isabel Guimarães Penteado – Coordenadora do ReCriando, Psicóloga, Terapeuta de Família e Casal pelo FAMILIAE/SP, CRP 06/2595-9;
Theresinha de Jesus Serra de Mattos – Doutorada em Física pela Unicamp, Profa Associada aposentada do Instituto de Física da Unicamp;
Cláudia Renata O. Costa Reichling – Socióloga, Especialista em Relações Sociais de Gênero pela PUC/SP – curso de Serviço Social em andamento.
![]()
Saiba como colaborar com os projetos.
“...queremos assegurar que este projeto (Recriando) continuará possibilitando a essas crianças e adolescentes saírem do silêncio, conectarem-se ou estabelecerem relações mais efetivas com o grupo social e familiar, através do lúdico e da construção de novas narrativas. Esperamos que as conversas se estendam à família, à escola e outros sistemas sociais e comuniquem suas conquistas e dificuldades, principalmente no que diz respeito à situação de violência.
Queremos também que este projeto viabilize a frequencia da população masculina à instituição e garanta de fato um trabalho de integração familiar usando o espaço lúdico que se apresenta como uma forma mais leve para se lidar com questões de violência.
Nossa expectativa é que a ideia desse projeto seja uma semente que germine e dê muitos frutos, que se multiplique em diferentes lugares e com isso evite que as crianças se tornem possíveis clientes quando adultos, e que possamos estar contribuindo para um futuro de trabalhos exclusivamente preventivos nas instituições.”
Maria Isabel G. Penteado – Coordenadora do ReCriando
![]()
Em 2009 o Projeto Recriando recebeu investimentos da campanha Criança Esperança, uma parceria da Rede Globo com a Unesco.
